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Entrevista da semana | Blog Dondeando por Aí

24/jan/2013

Hoje, você vai conhecer a história – bacana e comovente – do blog Dondeando por Aí, um dos primeiros associados da ABBV.

Com a palavra… a jornalista Clarissa Donda!

1. O que levou você a escrever um blog de viagens? E porque escolheu este nome?

O Dondeando por Aí… começou, na verdade, com uma história bem chata. Em junho de 2009 eu havia sofrido um acidente de carro meio sério que, se ao menos não trouxe consequências mais complicadas, me obrigou a ficar de cama, absolutamente imóvel por 2 meses, esperando pacientemente que o corpo juntasse em um o osso que resolveu se partir em dois.

Então, em meio à fase de tédio e deprê total, em que só me restava ficar vendo TV, lendo, olhando os dias (ensolarados, lindos!) passarem pela janela e reclamar da vida, lembrei da conversa que tive com um amigo, meses antes, sobre Budismo, em que a ideia central é que as coisas em nossa vida acontecem neutras, e cabe a nós dar um significado positivo ou não a elas.

Então, criei um blog no blogspot, numa tentativa de transformar o  súbito excesso de tempo livre em algo construtivo para a nova Clavícula, digo, Clarissa, que estrearia sabe-se lá quando. O nome era “Dondeando”, apenas, em que eu escrevia minhas elocubrações solitárias – e, na época, irresistivelmente tristes. A “sacada” de escrever sobre viagem veio de repente, pois já que eu não tinha muitas novidades acontecendo na minha vida naquele momento, resolvi falar do que eu mais gostava (e menos podia fazer, na ocasião): viajar.

O “Dondeando” ganha então o “por aí” e nascia efetivamente como um exercício despretensioso. Tipo uma caminhada para os neurônios: sem cobranças de ritmo, só mesmo o prazer de colocar uma palavra atrás da outra.

E até hoje, como toda caminhada, está evoluindo e estou vendo até onde ela vai… E me surpreendendo com o que encontro pelo caminho…

Mais detalhes? Aqui tem dois links contando como tudo começou e a origem do nome.

2. Qual é o seu perfil como viajante, o que você busca quando pega a estrada?

Sou adepta do exótico, da natureza, da aventura e da experiência – e acho, sobretudo, que dá para ter tudo isso numa viagem sozinha, inclusive. Vejo a viagem em mochilão de aventura e albergues mais um estilo do que uma opção financeira, já que a possibilidade de contato com a cidade e com pessoas de outras culturas é maior – e aprendendo a como usá-los a seu favor, podemos empreender uma viagem sozinha muito, muito divertida; sem ficar refém do “ter que ter” uma companhia para viajar. Se tiver, ótimo. Se não, ótimo também! 🙂

Sobretudo, sou apaixonada por estradas; acho que a viagem mesmo, muitas vezes, está mais na jornada do que no destino. Por isso, tenho um carinho especial por viagens de carro, de ônibus e de trem – adoro ver as paisagens passando e se transformando pela janela, como também adoro fazer paradas no meio do nada e descobrir, ali, uma foto fantástica em algo discreto e trivial. Então, minhas dicas invariavelmente seguem o meu olhar a coisas e experiências diferentes que se encontra – mesmo que o destino seja o mais batido possível.

3. Destaque três posts de que você mais gosta e conte-nos o porquê.

Dia dos Mortos, no México: Curiosidade, dicas e tudo sobre um festival do outro mundo – Disparado, um dos mais recentes e um dos meus preferidos. Não só porque o olhar do mexicano a respeito do Dia de Finados é fantástico, porque se trata de uma mudança completa de paradigmas sobre como enxergar a morte. Mas também porque o festival em si é apaixonante: colorido, alegre, com crianças e adultos fantasiados de caveiras e ceias à luz de velas – no cemitério!

Nesse post, tentei compartilhar duas sensações: primeiro, a de mostrar o resultado do difícil desafio de fotografar à noite, com tão pouca luz para tanta beleza em se falar de morte. E a segunda, de deixar o leitor se surpreender “saindo” de um cemitério pela primeira vez como eu saí: sorrindo e leve. Consegui?

Pantanal Mato-Grossense: Dicas, reminiscências e jacarés. Ao mesmo tempo – Um daqueles textos em que você fica orgulhosa consigo por ter escrito. Primeiro, porque é sobre um lugar de uma exuberância própria: como o são todos os ecossistemas, em especial aqui no Brasil. E também porque, devido à própria natureza dessa viagem, em que estar no habitat de um animal selvagem não é garantia de vê-lo por lá, o passeio – e principalmente, as fotos – se transformam em uma busca pessoal e em uma alegria quase infantil de conseguir “flagrar” um bicho. Por isso, a referência ao antigo chocolate Surpresa, da Nestlé, encabeça o post; colocar só as dicas do que fazer e como chegar lá não transmitiriam a mesma graça.

Degustando a Toscana, na Itália: passeios de carro, hospedagens em castelo e um sexto sentido viajante – Esse foi um problema para escrever. Porque como dizer que a Toscana é linda, que a Itália é apaixonante e que uma viagem para lá é um sonho – mas de uma forma diferente do que todo mundo escreve? Para mim, escrever sobre o óbvio (sim, porque a Toscana é tudo isso mesmo) é muito mais difícil: fica o desafio de contar o visto-mais-que-visto sob uma ótica diferente. E a solução de como construir o texto surgiu, vejam vocês, em uma ideia vinda do nada em Jericoacoara, em pleno Brasil brasileiro. No fim das contas, gostei do resultado do texto – porque as fotos não foram muito difíceis; a paisagem ajudou muito!

4. Qual dos destinos já publicados no blog virou campeão de audiência?

O Paraguai, acredita? Este foi uma absoluta surpresa para mim, pois na época eu havia conhecido a parte de compras em Ciudad del Este e, como precisava escrever sobre o destino, procurei fazê-lo da forma mais explicada possível – mesmo que turismo de compras não seja, assim, meu assunto favorito. Mas o resultado foi absolutamente surpreendente: este post (Dicas de Compras no Paraguai: como ir, como voltar e o que vale a pena em Ciudad del Este) é hoje, disparado, o líder de acessos em todo o blog!

O segundo destino líder de audiência seria o Egito, mas fruto não de um, mas de vários posts– aqui tem o link da série.

5. Na sua opinião, qual é o grande diferencial do seu blog?

Eu diria que as experiências em si: procuro focar mais na experiência do que no lugar, e quanto mais inusitados, melhor (vide que falo de Dia dos Mortos no México, mergulho no Mar Vermelho, 4×4 no Saara, etc). E procuro explicar tudo bem detalhadinho, de modo que, quem quiser ler sobre um lugar ou um evento fora do lugar-comum, pode “viajar” comigo na leitura – e depois ficar tranquilo, que vão ter as dicas timtim por timtim para quem quiser fazer o mesmo!

6. Quando escreve um post você se preocupa com o leitor, com a audiência, com o Google ou fica focado no simples prazer de relatar e compartilhar?

Posso dizer que o principal é o prazer de relatar e compartilhar – pois já atrasei a publicação de muito post só por não ter gostado do que eu tinha escrito. Mas acredito que a preocupação com a audiência está presente sim, regendo a forma com que a história é contada: é como uma boa conversa de bar com os amigos, a gente quer contar para os “causos”, mas também de uma forma que acreditamos que todo mundo vai gostar. Senão estaríamos falando sozinhos, não é? 😛

Mas a preocupação com o leitor tornou-se um requisito importantíssimo, desde lá atrás em que nos entendemos como um blog que fala para viajantes e não apenas um diário de viagem – de modo que sempre existe o cuidado de passar informações e links para o leitor, explicando direitinho o caminho das pedras para ele poder viver a experiência também. Isso inclui corrigir alguns textos lá atrás, tarefa que venho fazendo aos poucos.

Acho que a preocupação com o Google ocupa quase nada da minha cabeça – na hora de fazer os títulos, talvez, mas às vezes nem isso. E mesmo assim ando me surpreendo positivamente com ele. Sinal de que o time, mesmo sem ser mexido, tá ganhando, né?

7. Como você cultiva sua comunidade de leitores, qual é sua relação com eles?

Principalmente através dos comentários, e de relacionamento nas redes sociais (twitter e facebook), embora admito que estes dois últimos merecem ser trabalhados de forma melhor. Mas a principal interação é pelos comentários do blog, que procuro sempre responder, e não há satisfação melhor do que receber e responder perguntas de leitores, e tempos depois receber um comentário deles contando como foi a sua viagem e que as nossas dicas deram certo! Olha, é uma alegria danada quando isso acontece! J

8. Por que você resolveu se associar à ABBV?

Fiquei honradíssima com o convite, especialmente por vir de pessoas/blogueiros que eu respeito, admiro e acompanho sempre. Segundo, por me identificar com os princípios ali listados, e porque acho que a blogosfera de viagem, com a força que vem adquirindo em termos de referência para a viagem, pode e deve se organizar de uma forma séria e profissional. E é muito bom participar de um grupo bom com interesses semelhantes.

9. Conte um mico ou perrengue de viagem?

Exatamente por gostar de destinos mais inusitados, virei rainha de micos e perrengues. Mas o que virou um caso clássico – atingindo inclusive uma repercussão que jamais esperei – foi quando tive o embarque negado na falecida Webjet, num voo de São Paulo ao Rio de Janeiro, porque no ato do check-in eu estava com um olho vermelho (irritação causada por ter dormido de maquiagem e coçado o olho, após ter voltado tarde de uma festa na noite anterior) e a atendente alegou que eu estava com suspeita de conjuntivite. O que se seguiu foi um festival de despreparo, exagero e constrangimento – todos os detalhes, explicadíssimos, estão neste post (o segundo mais lido do blog): Quem não tem colírio usa óculos escuros – mas não embarca na Webjet.

10. Qual sua meta 2013 para o blog?

O blog (e a blogueira) atravessou 2012 num processo necessário de arrumar a casa. Para este ano, queremos crescer e amadurecer o material oferecido, de uma forma mais profissional e organizada para o leitor – mas sempre, sempre, com essa pegada inusitada de experiências únicas que tanto gostamos! Temos alguns bons planos a caminho e uma estrada longa (ótimo!) à frente! Aguardem novidades!

Você acabou de conhecer a jornalista Clarissa Donda, que escreve o blog Dondeando por Aí.

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Comentários

  1. 24 jan, 2013

    Clarissa, nunca declarei isso publicamente, mas sou sua fã!!!!!
    Adoro seus textos, a forma como escreve e magicamente nos teletransporta para as suas aventuras. É sério, seu texto é envolvente e delicioso. Além de você ser uma gracinha de pessoa!!!

    Beijos

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    25 jan, 2013

    Carol, fiquei tão feliz com seu recadinho agora!!! 🙂

    E saiba que o carinho e admiração é absolutamente recíproco! 🙂 Bjos e brigadíssima!

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  2. 24 jan, 2013

    Gostei muito da entrevista, é muito legal saber que a Clarissa está super preocupada com seus leitores e que ela escreve pelo prazer e contar e trocar experiências. Estou apenas descobrindo a blogsfera, e pelo que vejo é um lugar de gente apaixonada e dedicada ao que faz.

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    25 jan, 2013

    Ops, até errei na hora de postar o comentário! 😛

    Obrigada, Ana! Blogar dá mais trabalho do que parece, mas acho que é exatamente por isso que dá gosto de ler a blogosfera: o pessoal gosta muito do que faz! Que vom que você está gostando também! 🙂

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  3. 24 jan, 2013
    Ricardo Paim

    Muito legal a entrevista e a história do Dodeando! Mas eu vou falar o que os outros não falaram: com todo respeito, a Donda tá uma gata nessa primeira foto 😉

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    25 jan, 2013

    Hahaha! Eita, fiquei até tímida agora! 😛

    Que bom que gostou da entrevista!

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  4. 24 jan, 2013

    Gostei muito da entrevista, adorei. bjs

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    25 jan, 2013

    Maria do Carmo, obrigada!!! 🙂

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  5. 25 jan, 2013

    Clarissa, linda história e teu blog é ótimo.

    Sobre o post do Paraguai ser um dos mais acessados… queria perguntar se já chegou a cogitar que é um dos primeiros que aparece nas pesquisas do google? Se colocar Dicas compras ciudad del este paraguai, teu link aparece em quinto lugar.

    No nosso blog também tem um “fenômeno” destes. O post mais acessado é sobre um camping em Mostardas, uma cidade pequena com uma lagoa linda, mas pouco visitada no RS. Intrigada, comecei a pesquisar porque era tão acessado e com a ajuda do google analitics descobri que se alguém colocava a palavra camping mostardas o link do blog era o primeiro a aparecer. Apesar dos outros destinos serem muito mais famosos o blog concorria com muitas outras páginas, diferente deste lugar que tem poucas informações na web.

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    25 jan, 2013

    Diana, eu já percebi que foi por causa do Google sim! Mas de qualquer forma, foi uma surpresa porque eu não imaginava isso logo desse post – afinal, tem alguns que você coloca uma certa expectatica da repercussão nele porque, sei lá, é um assunto que você gosta mais, né..? E esse não, foi absolutamente uma surpresa! 🙂

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