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Influencer marketing: quem precisa de milhares de seguidores?

BY: ABBV0 COMMENTS CATEGORY: Mercado

Por Túlio Bragança, autor do blog Aires Buenos e ex-diretor da ABBV

Imagine uma marca de brinquedos infantis anunciando no Jornal Nacional. Ou uma marca de skates fazendo propaganda no meio da novela das 9h da Globo. Será que faria muito sentido produtos de nicho investirem em campanhas publicitárias em programas tão massivos?

Provavelmente não. Essa marca de brinquedos poderia gastar muito menos e ser mais eficiente se focasse num canal por assinatura infantil ou numa programação diurna da TV com desenhos animados. A marca de skates teria um melhor retorno se pensasse numa revista de esportes radicais ou num site que fala, por exemplo, sobre rock ou tatuagem.

Não parece simples? Então porque é que as empresas quando chegam na internet e querem anunciar em blogs ou influencers não raciocionam assim? Grande parte das marcas só quer o Jornal Nacional ou a novela, ou seja, os blogs enormes e influencers com milhões de números. Porém se esquecem de ver o que essas pessoas têm a ver com a marca – não apenas os produtos e serviços mas também os valores e o estilo de vida.

Mais do que o volume de audiência, é interessante observar se o blog ou perfil domina o assunto, se aborda temas do universo da marca normalmente, se é reconhecido naquele segmento. O influenciador consegue estabelecer uma comunicação autêntica com o público do produto? É respeitado por quem compra? Esses, sim, são fatores que definirão o poder de influência na tomada de decisão do consumidor.

Escolher alguém pelo número dos seguidores é uma tática ótima para grandes marcas que visam exposição de marca ou querem anunciar algo massivo. Mas também implica dispersar recursos numa segmentação de público ampla demais.

Trabalhar com blogs ou perfis de nicho é uma opção inteligente para abordar o público-alvo de forma mais eficaz. O investimento direcionado atinge um público mais qualificado, com maior afinidade para o seu tipo de produto. Essa abordagem também permite que médias e pequenas empresas sejam capazes de ter estratégias de marketing bem otimizadas, mesmo que não haja orçamento para blogs e influencers de grande porte.

É muito mais provável gerar bons conteúdos e alcançar potenciais consumidores quando se criam diálogos genuínos, recomendações qualificadas e um projeto consistente de médio prazo, do que quando se aposta todas as fichas em uma exposição massiva e indistinta pontualmente.

É preciso ir além do número de seguidores e acompanhar a pessoa por um tempo, para conhecer sua linguagem, avaliar seu conteúdo e entender o comportamento de seu público. Escolher alguém para representar sua marca é um compromisso de eficiência e credibilidade, e por isso exige cuidado e estratégia.

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